Amor em tempo de inverno
Se a velhice fosse uma estação do ano certamente deveria ter flores como a primavera, teria frutos como o verão e dias azuis como o outono. Lamentavelmente, porém, se convencionou chamar a velhice de inverno, não sei por que. Assimilamos a idéia de que no inverno temos dias sombrios, cheios de neve e frio, sem praia nem sol, sem muito que fazer. Imagino que trazem melancolia, abandono, medo.
Foi assim que comecei a olhar para mim e para as outras pessoas ao meu redor que já haviam ultrapassado a barreira dos 50 anos. Vi pessoas que se tornaram pesos para suas famílias (e não me refiro aos doentes), mantendo exacerbados comportamentos de quando mais jovens. Postura macambúzia. Deprimidos. Insatisfeitos por terem envelhecidos com achaques e humores azedos. Ladainhas de queixumes numa espécie de prazer mórbido. Mas notei também a emoção de Cora Coralina, Drummond, Mario Quintana, Borges, percebi pessoas, que apesar da idade ter avançado continuavam participativos, alegres como nem todo jovem (ah, como existem jovens displicentes, emburrados, ¨velhos¨ ). Mas veja a alegria dos roqueiros Rolling Stones!
Pesquisas comprovam que a felicidade da juventude retorna na velhice. Bem menos tranqüila é a faixa dos 40 anos, cheia de ansiedade pelos sonhos ainda não realizados, medo do futuro, incidência maior ao estresse e depressão.
A imagem do inverno surge para combinar com dificuldade, solidão, medo, fraqueza. Não temos esquilos no Brasil, mas eles, com sabedoria, armazenam nozes no inverno e isso me pareceu sabedoria da natureza, é necessário também preparar-se para a velhice. Vale pois, observar a lição dos esquilos para se preparar para uma idade serena, sem fantasias escuras. Se um esquilo falasse diria que é inevitável não se preparar para a estação mais fria, pois mesmo que a primavera e o verão pareçam durar para sempre e que o outono seja apenas uma estação amena, de muita brisa e folhas secas, indubitavelmente o inverno chegará. E se o inverno vai chegar por que não se preparar para ele? Se vamos envelhecer por que fugir disso até descobrir que estamos velhos?
Que tipo de idoso tu te preparas para ser? Muito chato? Prepotente? Ranzinza? As outras pessoas são como espelhos, de alguma forma elas refletem o que somos. Dizer ¨eu sou assim e não vou mudar¨ é como jogar fora uma noz que poderá alimentar um esquilo em tempo frio.
Um galope contra o tempo para restaurar, corrigir, manter, conviver e se aborrecer por não ter feito nada antes. Isso inclui hábitos saudáveis de higiene pessoal, íntima e ambiental. Ninguém muda na velhice, apenas acentua grandemente o que sempre foi e antes não podia manifestar.
Os interesses são muito importantes: a música, a leitura, fazer palavras cruzadas, trabalhos manuais, gosto por animais.. Pode parecer depreciativo ver idosos jogando dominó ou damas nas praças, mas eles estão muito mais ativos do que aqueles que apenas limitam-se a observar.
Ser idoso não significa ser alienado. Dê preferência por coisas vivas (pássaros,cães, gatos, plantas..) ou coisas úteis como tricô, marcenaria, bordados,crochê, presenteando amigos e parentes. Interessar-se pela informática, mergulhar nas aventuras dos e-mails, msn, orkut, podem iluminar o inverno e é ótimo para quem tem problemas de locomoção. Ler um livro, fazer uma caminhada, ver televisão, viajar, renovar-se. Tudo vale a pena para que a alma não envelheça e se torne pequena. Para encontrar a paz não existem caminhos, e sim caminhantes. È bom fazer as pazes com Deus antes que o inverno chegue, reconhecer que Ele existe, que Ele ama e ampara a todos, mesmo quem reluta em encontrá-lo. Para encontrar sua alma não precisa nem fazer de Deus uma mania e nem da igreja, um esconderijo.
E por que não amar em tempo de inverno? O amor não depende de idade nem da perfeição física. Com mais idade, muitas vezes descobrimos que o amor é bem melhor e mais feliz agora do que quando nos angustiávamos com o ¨tipo ideal¨. Descobrir que o amor nada tem a ver com celulites, barriga de tanquinho e sim, com companheirismo, bom humor e muito entusiasmo.
terça-feira, 7 de setembro de 2010
sexta-feira, 18 de junho de 2010
O que os homens sentem quando estão apaixonados
"..de repente ele compreende o sentido da vida, consumido por uma mistura de felicidade e dor.."
" desespero e prazer, um homem louco de amor pode esquecer a comida, os amigos e até o futebol!!"
Sei que pode parecer estranho. A maioria dos homens não se comporta de forma romantica ou sentimental. Tu não vais encontrá-lo folheando revistas de noivas ou soluçando enquanto assiste " e o vento levou..." .
Mas essa postura controlada não significa que eles não sintam, lá no íntimo, todas essas emoções.
O amor é uma coisa esplendorosa. E também dolorosa, terrível, hipnótica, desesperada e incendiária.
É coisa de macho.
Porque quando um homem se apaixona é com tanta intensidade quanto as mulheres. Se não for mais.
A grande diferença é que o homem disfarça seu sentimentalismo com um verniz de descaso machista. Isso porque é inadmissível chorar, ou suspirar, na frente dos amigos. Quando ele se apaixona, fica tão deslumbrado quanto os adolescentes - mas jamais confessa aos seus amigos. Ele pensa que os parceiros ririam dele se dissesse que alguma coisa o atingiu quando a viu num vestido vermelho. O sorriso dela derreteu aquele coração machista. Verdade. Ele tinha todos os sintomas de um flechado pelo Cupido : boca seca, sem apetite, o tempo para.. Essa estranha sensação é muito comum em homens apaixonados.
Ele se chamava Paulo.
" Quando conheci vera, fiquei entorpecido. O tempo parou de fazer sentido. Eu via as pessoas cuidando de suas vidas, enquanto eu, flutuava. Me vi no MacDonalds, olhando o nada, pensando nela, sem roupa, quando notei a irritação da fila que se formava atrás de mim..."
Parece familiar.
" Durante 11 meses de paixonite pela garota de vermelho, me senti como num sonho. E foi maravilhoso. A realidade da vida trivial parecia insuportável. Eu só pensava nela. Numa oportunidade quando ela viajou, saqueei seus pertences e encontrei um casaquinho, fiquei cheirando só para me lembrar da presença dela" .
Será isso ridículo ou extraordinariamente delicioso?
É assustador.
Quando os homens se apaixonam, eles se sentem nulos, paralisados. Ficam bravos por sentirem-se indefesos, sem nenhum poder sobre suas vidas. Ficam castrados, perdem a virilidade. As chamadas características masculinas , o interesse pelo futebol, boxe e promiscuidades, por exemplo - desaparecem completamente. Subitamente obscecados por flores, poesias e higiene pessoal - qualidades que são francamente alienígenas para eles.
Quando os homens se apaixonam é devastador. Todo aquele cinismo, aquela coisa de que amor é frescura, desaparece.. E eles passam de durões, donos da verdade a derretidos e cafonas, capazes de assumir todos os clichês dos filmes água com açúcar. Passeiam de mãos dadas, passam a procurar uma música romântica no cd. Sentem-se nobres, superiores e únicos na face da Terra.
Os homens vivem para encontrar o amor.
Apesar de toda dor, angústia e a tempestade que um relacionamento pode provocar, todos querem esse sentimento de volta.Recordam cada detalhe do amor.
É como um banho de chuva depois da estiagem.
Recomeçar.
Voltar a amar.
Viva os homens apaixonados!
E feliz daquela mulher.. que gerar esse tipo de sentimento num homem. Com certeza, ela é especial!
" desespero e prazer, um homem louco de amor pode esquecer a comida, os amigos e até o futebol!!"
Sei que pode parecer estranho. A maioria dos homens não se comporta de forma romantica ou sentimental. Tu não vais encontrá-lo folheando revistas de noivas ou soluçando enquanto assiste " e o vento levou..." .
Mas essa postura controlada não significa que eles não sintam, lá no íntimo, todas essas emoções.
O amor é uma coisa esplendorosa. E também dolorosa, terrível, hipnótica, desesperada e incendiária.
É coisa de macho.
Porque quando um homem se apaixona é com tanta intensidade quanto as mulheres. Se não for mais.
A grande diferença é que o homem disfarça seu sentimentalismo com um verniz de descaso machista. Isso porque é inadmissível chorar, ou suspirar, na frente dos amigos. Quando ele se apaixona, fica tão deslumbrado quanto os adolescentes - mas jamais confessa aos seus amigos. Ele pensa que os parceiros ririam dele se dissesse que alguma coisa o atingiu quando a viu num vestido vermelho. O sorriso dela derreteu aquele coração machista. Verdade. Ele tinha todos os sintomas de um flechado pelo Cupido : boca seca, sem apetite, o tempo para.. Essa estranha sensação é muito comum em homens apaixonados.
Ele se chamava Paulo.
" Quando conheci vera, fiquei entorpecido. O tempo parou de fazer sentido. Eu via as pessoas cuidando de suas vidas, enquanto eu, flutuava. Me vi no MacDonalds, olhando o nada, pensando nela, sem roupa, quando notei a irritação da fila que se formava atrás de mim..."
Parece familiar.
" Durante 11 meses de paixonite pela garota de vermelho, me senti como num sonho. E foi maravilhoso. A realidade da vida trivial parecia insuportável. Eu só pensava nela. Numa oportunidade quando ela viajou, saqueei seus pertences e encontrei um casaquinho, fiquei cheirando só para me lembrar da presença dela" .
Será isso ridículo ou extraordinariamente delicioso?
É assustador.
Quando os homens se apaixonam, eles se sentem nulos, paralisados. Ficam bravos por sentirem-se indefesos, sem nenhum poder sobre suas vidas. Ficam castrados, perdem a virilidade. As chamadas características masculinas , o interesse pelo futebol, boxe e promiscuidades, por exemplo - desaparecem completamente. Subitamente obscecados por flores, poesias e higiene pessoal - qualidades que são francamente alienígenas para eles.
Quando os homens se apaixonam é devastador. Todo aquele cinismo, aquela coisa de que amor é frescura, desaparece.. E eles passam de durões, donos da verdade a derretidos e cafonas, capazes de assumir todos os clichês dos filmes água com açúcar. Passeiam de mãos dadas, passam a procurar uma música romântica no cd. Sentem-se nobres, superiores e únicos na face da Terra.
Os homens vivem para encontrar o amor.
Apesar de toda dor, angústia e a tempestade que um relacionamento pode provocar, todos querem esse sentimento de volta.Recordam cada detalhe do amor.
É como um banho de chuva depois da estiagem.
Recomeçar.
Voltar a amar.
Viva os homens apaixonados!
E feliz daquela mulher.. que gerar esse tipo de sentimento num homem. Com certeza, ela é especial!
quinta-feira, 3 de junho de 2010
Atos, fatos e retratos
Uma vez ouvi a história de uma mulher que juntava sementes. Sempre que saía a passear ou viajar levava com ela o saco das sementes. Ao passar por estradas, porteiras, campos, canteiros, campinas e cidades, lá estava ela a jogar pela janela do carro, seus punhados de sementes. Sementes de lírios, dálias, avencas, crisântemos. Tudo misturado e jogado ao vento. Com certeza muitas pereceram pelas intempéries, pelas pedras, asfaltos, mas outras tantas germinaram e encantaram os olhos dos viajantes que olhando o serpentear das estradas depararam-se com flores e frutas plantadas ao lado das estradas e caminhos. Quando viajo e não estou dirigindo, gosto de estar quieta, só com meus efervescentes pensamentos, olhando tudo e confesso que em muitas oportunidades pensei : “ quem será que plantou esse pé de laranjeira à beira do caminho? Será que passou novamente por aqui e se deu conta da grandeza do seu ato?” Meu pai sempre respondia meus questionamentos infantis e nas viagens me dizia por que tinha tantos pedaços de pneus às descidas íngremes e por que haviam frutas nos acostamentos; dizia sempre que as pessoas viajavam comendo frutas e jogavam sementes pelas janelas, assim nasciam pés de bergamoteiras, pêssegos e butiás. Novamente as sementes.
Hoje minha colega Izabel falou que tinha acontecido algo inusitado no dia anterior , um senhor bem apessoado e falante tinha lhe dado duas folhas de papel com uns escritos muito instigantes; ela os leu e devolveu-os, ele então disse , “ fique com eles, leia novamente e os repasse para outras pessoas” . Sementes de novo. Agora eram sementes de sabedoria, perdão e paz. Que alma gentil. Pessoas com grandeza de alma e espírito. Ao invés de criticarem o mundo e às pessoas, levavam flores, frutas e palavras de conforto jogando-as ao sabor dos ventos.
Lembrei então de outro exemplo maravilhoso que vi numa cidade do interior gaúcho onde para comemorar a feira do livro, pessoas colocavam livros sobre os bancos das praças da cidade; outros que ali sentavam, liam e deixavam no mesmo lugar para que alguém que os sucedesse também pudesse deleitar sua alma ou então até levar para presentear pessoas que já havia elencado como merecedora ou necessitada daquele carinho. Sementes.
Se o teu jarro está trincado e por ali gotas preciosas de água caem ao chão, não te importa. Pensa que todas as vezes em que vais por dia ao rio buscar tua água, um caminho de flores se abrirá , pois ao regares a terra, ela se abrirá e te presenteará com flores de belíssimos aromas e tons.
Pensei na parábola do semeador, minha preferida, não importa onde joguemos as sementes, debalde o sol ou a chuva, a terra ruim ou a erva daninha, o vento e a tempestade, Deus nos designou semeadores e ao semeador importa apenas semear.
“No espelho mágico da natureza da vida, no interior e exterior de tudo, descobrimos nossos atos. Em nosso espelho real, em nossa vida pessoal, física e individual, conhecemos o nosso retrato e com essa revelação justificativa: o que fazer, e agora, não ata e nem desata? Se tens algo errado em tua vida, aproveita o precioso tesouro do tempo que tens e te retrata” (Obrigada Sr. José Luiz Farias pelas sementes com que brindou a sua cidade)
Hoje minha colega Izabel falou que tinha acontecido algo inusitado no dia anterior , um senhor bem apessoado e falante tinha lhe dado duas folhas de papel com uns escritos muito instigantes; ela os leu e devolveu-os, ele então disse , “ fique com eles, leia novamente e os repasse para outras pessoas” . Sementes de novo. Agora eram sementes de sabedoria, perdão e paz. Que alma gentil. Pessoas com grandeza de alma e espírito. Ao invés de criticarem o mundo e às pessoas, levavam flores, frutas e palavras de conforto jogando-as ao sabor dos ventos.
Lembrei então de outro exemplo maravilhoso que vi numa cidade do interior gaúcho onde para comemorar a feira do livro, pessoas colocavam livros sobre os bancos das praças da cidade; outros que ali sentavam, liam e deixavam no mesmo lugar para que alguém que os sucedesse também pudesse deleitar sua alma ou então até levar para presentear pessoas que já havia elencado como merecedora ou necessitada daquele carinho. Sementes.
Se o teu jarro está trincado e por ali gotas preciosas de água caem ao chão, não te importa. Pensa que todas as vezes em que vais por dia ao rio buscar tua água, um caminho de flores se abrirá , pois ao regares a terra, ela se abrirá e te presenteará com flores de belíssimos aromas e tons.
Pensei na parábola do semeador, minha preferida, não importa onde joguemos as sementes, debalde o sol ou a chuva, a terra ruim ou a erva daninha, o vento e a tempestade, Deus nos designou semeadores e ao semeador importa apenas semear.
“No espelho mágico da natureza da vida, no interior e exterior de tudo, descobrimos nossos atos. Em nosso espelho real, em nossa vida pessoal, física e individual, conhecemos o nosso retrato e com essa revelação justificativa: o que fazer, e agora, não ata e nem desata? Se tens algo errado em tua vida, aproveita o precioso tesouro do tempo que tens e te retrata” (Obrigada Sr. José Luiz Farias pelas sementes com que brindou a sua cidade)
quarta-feira, 26 de maio de 2010
Cães em dia de chuva
Fazia muito calor no interior do carro, abri uma nesga do vidro propiciando que o vento circulasse enquanto o veículo avançava rumo à cidade de Santa Maria. As árvores passavam rápidas como se borrões verdes fossem , quase horário de almoço e a fumaça saía de algumas chaminés das casas ao longo da estrada.
Dentro do carro um silencio total. Procurei o botão do rádio, mas logo percebi meu ato falho, não estava em meu carro. Estava dirigindo uma viatura policial, elas não possuem rádios de AM/FM.
No banco traseiro outro colega policial e um adolescente sendo levado para a FASE (Fundação de Assistência Sócio-Educativa) ou no entendimento popular: FEBEM.
Disfarçadamente olhei para ele através do retrovisor. Magro. Cabelos grandes, crespos e mal-cuidados.Roupas largas. Um prenúncio de barba em seu rosto, mas o olhar, ah o olhar chamava a atenção, olhos pequenos de cor marrom, emoldurados por olheiras escuras, mas não transmitiam nada. Vazios.Distantes.Perdidos.Indiferentes. Olheiras oriundas da pedra. Maldito crack.
Imaginei-o com sete ou oito anos, brincando com um caminhãozinho atado por um barbante numa rua lamacenta, só de calção, mas feliz. Com olhos expressivos e vivazes. Maldita pedra. Lembrei que o conhecia desde pequeno (tinha um irmão mais velho já no crime) e seus olhos eram vivos, iluminados e felizes, debalde sua condição social .(Depois dizem que é a miséria que muda o mundo e suas crianças; que nada, o que mudou o mundo foi a pedra de crack, ser pobre nunca significou desgraça, inconformidade, não somos dalits!)
Em seu currículo, muitos furtos e a suspeita de que já pratique assaltos, baixa escolaridade, nenhum curso técnico e nenhum sonho para sonhar. Só indiferença.
Já repararam nos olhos das crianças e adolescentes que perambulam pelas ruas? Olhe somente os seus olhos. Não se perca na sua roupa e no seu estilo ¨ tô nem aí ¨, olhe os olhos destas crianças.
Se eu fosse político e votasse leis, me deteria a olhar os olhos das crianças da minha cidade. Eles pedem socorro.
O colega perguntou como ele havia pulado o muro de uma casa onde praticara mais um furto já que a altura do muro era bem grande. Nem olhou para seu interlocutor, olhando para as árvores que não se detinham e passavam apressadas, disse: ¨ passava muitas vezes na frente daquela casa e estudava uma maneira de entrar, foi fácil ¨. Fácil !? O colega perguntou novamente, ¨ mas e o cachorro, como entrastes numa casa com um cão tão furioso, um pitbul l?¨ ¨ Foi simples, disse ele, sempre olhando para fora, com o olhar perdido nos borrões verdes, cachorros não saem de suas casinhas em dia de chuva. Eu esperei uma noite de chuva e pulando o muro, entrei pé por pé, furtei as roupas todas da área e fui embora¨.
Meu olhar encontrou o do colega pelo retrovisor e voltei a olhar para a estrada. Maldito crack.
Cães não saem de suas casinhas em dias de chuva. E não é que é verdade?
Dias depois, chuva forte, me surpreendi observando meus dois cachorros e por mais que fizessem barulho na frente da casa, eles só erguiam o pescoço, davam uma espiada e deitavam novamente suas cabeças no quentinho das casinhas! Uau !!
Dentro do carro um silencio total. Procurei o botão do rádio, mas logo percebi meu ato falho, não estava em meu carro. Estava dirigindo uma viatura policial, elas não possuem rádios de AM/FM.
No banco traseiro outro colega policial e um adolescente sendo levado para a FASE (Fundação de Assistência Sócio-Educativa) ou no entendimento popular: FEBEM.
Disfarçadamente olhei para ele através do retrovisor. Magro. Cabelos grandes, crespos e mal-cuidados.Roupas largas. Um prenúncio de barba em seu rosto, mas o olhar, ah o olhar chamava a atenção, olhos pequenos de cor marrom, emoldurados por olheiras escuras, mas não transmitiam nada. Vazios.Distantes.Perdidos.Indiferentes. Olheiras oriundas da pedra. Maldito crack.
Imaginei-o com sete ou oito anos, brincando com um caminhãozinho atado por um barbante numa rua lamacenta, só de calção, mas feliz. Com olhos expressivos e vivazes. Maldita pedra. Lembrei que o conhecia desde pequeno (tinha um irmão mais velho já no crime) e seus olhos eram vivos, iluminados e felizes, debalde sua condição social .(Depois dizem que é a miséria que muda o mundo e suas crianças; que nada, o que mudou o mundo foi a pedra de crack, ser pobre nunca significou desgraça, inconformidade, não somos dalits!)
Em seu currículo, muitos furtos e a suspeita de que já pratique assaltos, baixa escolaridade, nenhum curso técnico e nenhum sonho para sonhar. Só indiferença.
Já repararam nos olhos das crianças e adolescentes que perambulam pelas ruas? Olhe somente os seus olhos. Não se perca na sua roupa e no seu estilo ¨ tô nem aí ¨, olhe os olhos destas crianças.
Se eu fosse político e votasse leis, me deteria a olhar os olhos das crianças da minha cidade. Eles pedem socorro.
O colega perguntou como ele havia pulado o muro de uma casa onde praticara mais um furto já que a altura do muro era bem grande. Nem olhou para seu interlocutor, olhando para as árvores que não se detinham e passavam apressadas, disse: ¨ passava muitas vezes na frente daquela casa e estudava uma maneira de entrar, foi fácil ¨. Fácil !? O colega perguntou novamente, ¨ mas e o cachorro, como entrastes numa casa com um cão tão furioso, um pitbul l?¨ ¨ Foi simples, disse ele, sempre olhando para fora, com o olhar perdido nos borrões verdes, cachorros não saem de suas casinhas em dia de chuva. Eu esperei uma noite de chuva e pulando o muro, entrei pé por pé, furtei as roupas todas da área e fui embora¨.
Meu olhar encontrou o do colega pelo retrovisor e voltei a olhar para a estrada. Maldito crack.
Cães não saem de suas casinhas em dias de chuva. E não é que é verdade?
Dias depois, chuva forte, me surpreendi observando meus dois cachorros e por mais que fizessem barulho na frente da casa, eles só erguiam o pescoço, davam uma espiada e deitavam novamente suas cabeças no quentinho das casinhas! Uau !!
terça-feira, 30 de março de 2010
Não estamos mais esperando príncipes em cavalos brancos
Quando eu era pequena, minha mãe sempre sabia a hora certa de falar com meu pai para receber um ¨ sim ¨como resposta. E me alertava, ¨ agora não, deixa para amanhã¨.
Eu também agia assim com a minha filha e com seu pai.
As mulheres são assim: profundas conhecedoras da técnica de esperar o momento certo para tirar o peixe fora da água. Os homens, em contrapartida, acham que esperar um dia não é sinal de inteligência. E aí é que se enganam.
Não me cabe aqui revelar sobre as mulheres. Mesmo por que, choramos facilmente, rimos com o coração. Nem sempre quando dizemos ¨não ¨ significa que estamos dizendo ¨não¨. Descobrimos que um sorriso pode produzir milagres... e uma lágrima também! Nada mais comovente que uma mulher que chora, um sorriso pode desarmar um homem.. Damos à luz sob fortes dores e logo depois nos esquecemos.. Corajosas, frágeis e fortes, vamos à luta sem capacete e sem espada. Temos um coração ao lado do cérebro. Não temos músculos, temos garras. E agora me lembrei da loba. A loba é o símbolo da mulher madura porque defende sua prole de qualquer perigo ou ameaça , o lobo não!
Somos nossos próprios anjos protetores. Não buscamos igualdade. Mesmo se pudéssemos exercer várias profissões, há emoções que correm como turbilhões dentro de nós que jamais poderão ser experimentadas pelo sexo oposto, há a dor e o prazer de oferecer à luz do dia a um anjo!
Não, jamais haverá igualdade! Cada um que faça a sua parte, cada um tem a sua importância, nem maior, nem menor. Não estamos mais à espera de príncipes encantados em cavalos brancos! Há muito entendemos que esses só existem nos contos de fadas. O que queremos é simplesmente sermos amadas. Não nos preocupamos com músculos e caras, queremos alguém que possa nos amar. Nós mulheres, seremos sempre, jovens, idosas, maduras, imaturas, belas, feias, dengosas, charmosas, mimadas, vaidosas, apaixonadas ou não..., mas sempre vai pulsar no nosso peito esse coração de mulher. Coração que ninguém entende... , mas que sabe muitas vezes adivinhar a vida!
A Bíblia fala sobre a mulher. Passei muito tempo achando que a Bíblia gostava mais dos homens. Achava que se falava pouco nas mulheres da Bíblia. Imagina como se sentia a mulher de Noé, durante anos ele construindo aquela arca, era alvo de chacota de todos, e ela lá, firme como a rocha. Eva parece fraca e caprichosa. Dalila entregou Sansão aos filisteus (mas ela era uma filistéia!). Maria Madalena descrita como uma mulher possuída por demônios.
Quando leio a Palavra de Deus vejo hoje o quanto Ele foi bom com as mulheres. Ele disse que as mulheres são as colunas e os homens os cabeças (certamente muitas mulheres querem ser cabeça). Mas a sabedoria divina não falha. Pense comigo, a cabeça se move ou se vira para onde lhe torcer o pescoço (a coluna). As mulheres têm um grande papel na vida divina criada por Deus e a Bíblia diz que a mulher sábia edifica a sua casa sobre a rocha (quem é a rocha? Cristo). As mulheres novamente responsáveis pelas suas casas, filhos e maridos. A videira fala da mulher porque a raiz é sensível, precisa de terra seca (não gosta de umidade), traz sombra, frutos ( vinho e alegria). A parreira é boa, mas devemos dar condições e ter cuidado com ela nos primeiros anos em especial para que germine, cresça e prolifere. A partir daí, será rija, forte e protetora. Mulheres são videiras.
Eu também agia assim com a minha filha e com seu pai.
As mulheres são assim: profundas conhecedoras da técnica de esperar o momento certo para tirar o peixe fora da água. Os homens, em contrapartida, acham que esperar um dia não é sinal de inteligência. E aí é que se enganam.
Não me cabe aqui revelar sobre as mulheres. Mesmo por que, choramos facilmente, rimos com o coração. Nem sempre quando dizemos ¨não ¨ significa que estamos dizendo ¨não¨. Descobrimos que um sorriso pode produzir milagres... e uma lágrima também! Nada mais comovente que uma mulher que chora, um sorriso pode desarmar um homem.. Damos à luz sob fortes dores e logo depois nos esquecemos.. Corajosas, frágeis e fortes, vamos à luta sem capacete e sem espada. Temos um coração ao lado do cérebro. Não temos músculos, temos garras. E agora me lembrei da loba. A loba é o símbolo da mulher madura porque defende sua prole de qualquer perigo ou ameaça , o lobo não!
Somos nossos próprios anjos protetores. Não buscamos igualdade. Mesmo se pudéssemos exercer várias profissões, há emoções que correm como turbilhões dentro de nós que jamais poderão ser experimentadas pelo sexo oposto, há a dor e o prazer de oferecer à luz do dia a um anjo!
Não, jamais haverá igualdade! Cada um que faça a sua parte, cada um tem a sua importância, nem maior, nem menor. Não estamos mais à espera de príncipes encantados em cavalos brancos! Há muito entendemos que esses só existem nos contos de fadas. O que queremos é simplesmente sermos amadas. Não nos preocupamos com músculos e caras, queremos alguém que possa nos amar. Nós mulheres, seremos sempre, jovens, idosas, maduras, imaturas, belas, feias, dengosas, charmosas, mimadas, vaidosas, apaixonadas ou não..., mas sempre vai pulsar no nosso peito esse coração de mulher. Coração que ninguém entende... , mas que sabe muitas vezes adivinhar a vida!
A Bíblia fala sobre a mulher. Passei muito tempo achando que a Bíblia gostava mais dos homens. Achava que se falava pouco nas mulheres da Bíblia. Imagina como se sentia a mulher de Noé, durante anos ele construindo aquela arca, era alvo de chacota de todos, e ela lá, firme como a rocha. Eva parece fraca e caprichosa. Dalila entregou Sansão aos filisteus (mas ela era uma filistéia!). Maria Madalena descrita como uma mulher possuída por demônios.
Quando leio a Palavra de Deus vejo hoje o quanto Ele foi bom com as mulheres. Ele disse que as mulheres são as colunas e os homens os cabeças (certamente muitas mulheres querem ser cabeça). Mas a sabedoria divina não falha. Pense comigo, a cabeça se move ou se vira para onde lhe torcer o pescoço (a coluna). As mulheres têm um grande papel na vida divina criada por Deus e a Bíblia diz que a mulher sábia edifica a sua casa sobre a rocha (quem é a rocha? Cristo). As mulheres novamente responsáveis pelas suas casas, filhos e maridos. A videira fala da mulher porque a raiz é sensível, precisa de terra seca (não gosta de umidade), traz sombra, frutos ( vinho e alegria). A parreira é boa, mas devemos dar condições e ter cuidado com ela nos primeiros anos em especial para que germine, cresça e prolifere. A partir daí, será rija, forte e protetora. Mulheres são videiras.
sábado, 23 de janeiro de 2010
sábado, 9 de janeiro de 2010
A mulher madura

O rosto da mulher entrou na moldura de meus olhos. De repente, a surpreendo num banco olhando de soslaio, aguardando sua vez no balcão. Outras vezes ela passa por mim na rua entre os camelôs. Vezes outras a antevejo no espelho de uma joalheria. A mulher com seu rosto denso esculpido como o de uma atriz grega, ela tem qualquer coisa de Melina Mercouri. Há uma serenidade em seus gestos, longe dos desperdícios da adolescência, quando se esbanjam pernas, braços e bocas, ruidosamente. A adolescente não sabe ainda os limites de seu corpo e vai florescendo estabanada. É como um nadador principiante ,faz muito barulho, joga muita água para os lados... A mulher nada no tempo e flui com a serenidade de um peixe.
Seu olhar sobre os objetos não é de gula ou de concupiscência. Seus olhos não violam as coisas, mas a envolvem ternamente. Sabe a distancia entre o seu corpo e o mundo.
A mulher é assim.. Tem algo de orquídea que brota exclusiva de um tronco, inteira. Não é um canteiro de margaridas jovens tagarelando nas manhãs.. A adolescente com o brilho dos seus cabelos, com essa irradiação que sai dos dentes e dos olhos, nos extasia. Mas a mulher tem um som de adágio em suas formas. A boca da mulher tem uma indizível sabedoria. Ela chorou na madrugada e abriu-se em opaco espanto. Ela conheceu a traição e ela mesma saiu sozinha para se deixar invadir pela dimensão de outros corpos. Por isto, suas mãos são líricas no drama e repõem no seu corpo um aprendizado da macia paina de setembro e abril.
O corpo da mulher é um corpo que já tem história. Inscrições se fizeram em sua superfície e seu corpo não é como na adolescência uma pura e agreste possibilidade. Ela conhece seus mecanismos e apalpa suas mensagens, decodifica as ameaças numa intimidade respeitosa. Maturidade é essa coisa dupla: um jogo de espelhos reveladores.
Cada idade tem o seu valor. É um equívoco pensá-lo apenas como um relâmpago da juventude. Cada idade tem seu brilho e é preciso que cada um descubra o fulgor do próprio corpo. A mulher está pronta para algo definitivo.
A mulher experiente tem esse ar de que, enfim, está pronta para ir à Grécia. Deslocou-se da superfície das coisas. Merece profundidade. As jóias brotam de seu tronco, incorporam-se naturalmente ao rosto, como se fossem prendas do tempo. A mulher é um ser luminoso e repousante.
Pudera seus maridos e companheiros, voltassem mais cedo para casa, de seus escritórios e múltiplas atividades, deveriam voltar tão maduros quanto Paul Newmann ou Yves Mountand quando em seus filmes. Eles deveriam saber que perderam tempo em não esperá-las maduras.
( Dedico meu texto a todas aquelas mulheres maduras, de luta, de fibra, de sangue).
Seu olhar sobre os objetos não é de gula ou de concupiscência. Seus olhos não violam as coisas, mas a envolvem ternamente. Sabe a distancia entre o seu corpo e o mundo.
A mulher é assim.. Tem algo de orquídea que brota exclusiva de um tronco, inteira. Não é um canteiro de margaridas jovens tagarelando nas manhãs.. A adolescente com o brilho dos seus cabelos, com essa irradiação que sai dos dentes e dos olhos, nos extasia. Mas a mulher tem um som de adágio em suas formas. A boca da mulher tem uma indizível sabedoria. Ela chorou na madrugada e abriu-se em opaco espanto. Ela conheceu a traição e ela mesma saiu sozinha para se deixar invadir pela dimensão de outros corpos. Por isto, suas mãos são líricas no drama e repõem no seu corpo um aprendizado da macia paina de setembro e abril.
O corpo da mulher é um corpo que já tem história. Inscrições se fizeram em sua superfície e seu corpo não é como na adolescência uma pura e agreste possibilidade. Ela conhece seus mecanismos e apalpa suas mensagens, decodifica as ameaças numa intimidade respeitosa. Maturidade é essa coisa dupla: um jogo de espelhos reveladores.
Cada idade tem o seu valor. É um equívoco pensá-lo apenas como um relâmpago da juventude. Cada idade tem seu brilho e é preciso que cada um descubra o fulgor do próprio corpo. A mulher está pronta para algo definitivo.
A mulher experiente tem esse ar de que, enfim, está pronta para ir à Grécia. Deslocou-se da superfície das coisas. Merece profundidade. As jóias brotam de seu tronco, incorporam-se naturalmente ao rosto, como se fossem prendas do tempo. A mulher é um ser luminoso e repousante.
Pudera seus maridos e companheiros, voltassem mais cedo para casa, de seus escritórios e múltiplas atividades, deveriam voltar tão maduros quanto Paul Newmann ou Yves Mountand quando em seus filmes. Eles deveriam saber que perderam tempo em não esperá-las maduras.
( Dedico meu texto a todas aquelas mulheres maduras, de luta, de fibra, de sangue).
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