Entardecer do meu rio Jacuí...

Entardecer do meu rio Jacuí...
.. posso te afirmar que ¨contar histórias é trazer à baila, trazer à tona¨. Não é uma atividade inútil. Embora haja intercâmbio de histórias, quando duas pessoas trocam histórias como presentes mútuos, na maior parte dos casos elas chegaram a se conhecer bem.Alguns deitaram com a história e descobriram dentro de si mesmos e em profundidade todas as partes que se harmonizavam. Ao lidarmos com palavras e histórias estamos trabalhando com energia arquetípica, que é muito similar com a eletricidade.
Bem-vindo!

domingo, 26 de dezembro de 2010

O ano novo já vem!

Mais um ano se finda. Um novo ano começa.
Muitos nesta data escrevem sobre os desencantos do ano que passou e da esperança no ano que virá. Aquele bebê roliço e sorridente, banguela, de capa de revista, só de fraldinhas é extremamente comovente e nos passa mesmo a sensação de um ano novo promissor.
Mas quem já viveu como eu, muitos novos anos e outros que ficaram trás, tem que refletir sobre a criação e o motivo por estarmos aqui. Acho que tudo tem a ver com o amor. Essa tem que ser a diferença.
Estou aprendendo a amar. Muitos anos de vida, muitos casamentos, filhos, anos de convívio com o trabalho, com amigos, conhecidos, vidas e mortes.
Estou aprendendo a escutar, escutar com os olhos e ouvidos, escutar com a alma e com todos os sentidos. Escutar o que diz o coração, o que diz os ombros caídos, os olhos, as mãos irrequietas. Escutar a mensagem que se esconde entre as palavras corriqueiras, superficiais. Descobrir a angústia disfarçada, a insegurança mascarada, a solidão encoberta. Penetrar o sorriso fingido, a alegria simulada. Descobrir a dor de cada coração.
Aos poucos, estou aprendendo a amar. Aprendendo a aceitar as pessoas, mesmo quando elas me desapontam. Quando me ferem com palavras ásperas.
É difícil aceitar as pessoas assim como elas são e não como eu as desejo. Estou aprendendo a perdoar. Pois o amor perdoa, lança fora todo o medo.Apaga as cicatrizes. O amor não alimenta mágoas. Não cultiva ofensas com lástimas ou comiseração.
Como é difícil amar!
Todavia, tropeçando, errando, estou aprendendo.
Aprendendo a por de lado as minhas próprias dores, meus interesses, minha ambição, meu orgulho.. Como é duro amar.
Com o tempo tu vais aprendendo que para ser feliz com outra pessoa, tu precisas, em primeiro lugar, não precisar dela. Com o tempo a gente aprende a gostar de si mesmo, a cuidar de si e principalmente, a gostar de quem também gosta de ti.. ¨ O segredo é não correr atrás das borboletas.. , e sim, cuidar do jardim para que elas venham...¨ Simples, né?
Neste novo ano que se inicia, te digo que leia mais livros e assista menos tv. Um bom dia é aquele em que tu ris e também choras. Olha as pessoas nos olhos. Mantenha amigos por toda a vida. Não te preocupes com o que as pessoas estão pensando de ti. Sonha grande, arrisque, viva com alegria. Ama profundamente e com paixão. Admita os erros e corra a pedir perdão. Não procura te vingar. Paga o mal com o bem (o que é que tem?). Telefona com freqüência para tua mãe. Faz do teu lar um lugar alegre e de paz. Semeia com generosidade, pois da forma que semearmos, colheremos. Tua atitude e teu caráter são mais importantes do que tua aparência.
É tempo de nos abrirmos espontaneamente aos outros, trazer a beleza e a arte para a nossa vida, destruir todas as barreiras que nos impedem de amar, abrir todas as celas e cavernas onde prendemos aqueles e aquilo que amamos. Estes são meus votos de um Ano Novo e feliz! Seja feliz! E que venha 2011!

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

A gaveta

Ao abrir a gaveta
Tua foto me olha

enigmático.
Parece triste.

Será que és feliz?
Será que estás bem?

Teus olhos me seguem
Pela sala.
Cuida meus passos.

Abrir a gaveta agora, dói.
(20 dezembro)

( Essa é real, atual e encantadora).

domingo, 12 de dezembro de 2010

O Haiti

O inesperado da tua chegada
tumultuou meu sono
naquela noite.

O poder da tua presença
encheu de respeito meu momento.

A tua fala direta.

A saudade que vi nos teus olhos.
Uma pequena sombra a esgueirar-se.

Imaginei teus passos leves
espiando o meu dormir.

O teu calor extenuante.

A luta para existir.

A tua figura gremista
sorridente e atlética
mexeu com o meu imaginário.

O Haiti é perto.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Atenção: frágil!

Tudo começa com um velho conhecido chamado stress. Ele é um coadjuvante com fortes chances de ganhar Oscar pela atuação. Somos obrigadas a produzir mais em menos tempo, ser encontradas a qualquer hora( dormir com o celular ligado) e convivemos com o fantasma de que, se vacilarmos, alguém ocupará nosso lugar. Todo esse cenário estressa. E pode desencadear um processo depressivo.
Hoje mostrar-se ocupado é importante, ter vida infernal é motivo de orgulho, enquanto manter um dia a dia sereno é coisa de acomodado. O ambiente competitivo favorece à doença. Quando a busca pelo sucesso deixa de ser prazerosa, o número de novos neurônios no hipocampo(região do cérebro que controla as emoções)reduz dramaticamente. Isso causa perda de memória e dificuldade de aprendizado e concentração.
Hoje estamos todas mais ou menos assim. Esquecimentos preocupantes, agendas lotadas, tudo escrito, celular apitando e avisando aniversários, hora no médico e dentista, lembretes importantes. Minhas amigas estão assim. Eu me vejo assim. E tome de Ginkobiloba, Omega 3, Vitamina C e outros bichos; será o Alzheimer?
Noutro dia fui ao médico acompanhar minha mãe e o neurologista fez algumas perguntas básicas(para ele, claro!) , " a sra. toma muito chimarrão?", " tem pressão alta?" , " toma muito café"? e ia anotando..., fiquei perplexa: chimarrão dá esquecimento? Ele me respondeu que é cafeína pura e aliado à vida moderna, um stress só...! Imagina. Disse que as pessoas ficam " ligadas" , estressadas, pilhadas e com um toque mais forte do som de palmas, trovão ou fogos de artifício, seus corações parecem querer lhes sair pela boca! Ansiedade. Azáfama.
Lembrei da Síndrome de Burnout( tão em moda atualmente), exaustão emocional, queda de rendimento no trabalho, ou seja, a um passo da pane. O corpo denuncia. Com dores musculares e de cabeça, distúrbios de sono, problemas cardíacos e gastrointestinais, elevação nos níveis de colesterol e glicose no sangue. Há também os sintomas emocionais. " Sensação de angústia, ansiedade, melancolia, cansaço e desânimo, raiva e solidão". Cruzes.
A maioria das pessoas passa por luto, tristeza, mas toca a vida. Basta se deparar com um estímulo positivo para reagir. Insucesso causa ansiedade e angústia, mas não caracteriza depressão. Mas daí, eu pergunto: como não ficar frágil?
Se a gente ainda pensa que tem que agir como um homem para suportar as pressões, evitando assim doenças que se originam no stress, temos que mudar nossos conceitos. São eles, os homens que tem que aprender com a gente. Essa história de liberação feminina, igualdade de condições e retirada de soutiens não pode nos condenar a abraçar tudo e todos. A mulher é frágil. Sim, é verdade que consegue fazer muitas tarefas ao mesmo tempo, que tem os neurônios mais desenvolvidos, mas por isso mesmo tem que apertar o botão de " stop"!
Não queremos mais ser iguais aos homens!

sábado, 30 de outubro de 2010

VOCE CONHECE UMA MULHER?

As mulheres sabem que dentro delas moram muitas outras figuras femininas. Algumas poderosas, outras frágeis, algumas velhas, outras bem jovens. Todas adoram falar.
Todas as mulheres conhecem a dor e nenhuma é estranha ao sofrimento.
Nós mulheres, um dia ou muitos, nos sentimos alheias a nós mesmas. E nos perdemos num mar de irritação, exaustas mergulhamos num lexotan, em copos de vinho numa banheira escaldante ou no mais puro desespero.Algumas sucumbiram, só algumas. Como resultado, carregamos no peito essa perda e reconhecemos com reverência o poder destes abismos.
Toda a mulher, mesmo as muito jovens, sabem que ser mulher é um desafio. E no íntimo desconfiam que vão passar um bocado de tempo provando coisas ao mundo. Nascer mulher, em boa parte do planeta, ainda é afirmar-se acima do destino biológico.
Todas as mulheres pensam que sabem amar. Mas o amor insiste em rir de nós. E desafia nossas desajeitadas tentativas de dominá-lo ou compreende-lo. O amor parece um gato que só para o nosso colo quando já nos cansamos de chamar. Mas que ninguém se engane, mal a gente acostuma com aquele calor macio e peludo e ele pula e volta para a vida.
Todas as mulheres tem medo. Medo do primeiro beijo, do primeiro encontro, do primeiro emprego, de casar, medo de não casar, medo do parto, da traição, medo de não conseguir, medo de envelhecer, medo de dizer sim. A cada instante, nossos medos podem nos fazer trancar os dentes, afinar o olhar e ousar no salto. Ou podemos nos recolher emburradas e encolhidas dentro de uma caixa de sapatos, onde ficamos olhando o mundo por um buraquinho.
Todas nós temos um sonho. Todas nós temos uma sombra. Negra e densa. E aquelas de nós que não ousaram encarar seus sonhos e seus caminhos, são fáceis de reconhecer: parecem árvores ressequidas e seus ramos balançam sem alegria. Quem se alimenta dos frutos murchos dessa árvore experimenta seu sabor ressentido e intolerante. Eventualmente a tempestade racha ao meio tronco tão seco. A mulher é antes de tudo uma agricultora de sonhos.
Todas nós sentimos uma vez ou outra uma vontade de parar de bater as asas na vidraça e aquietar a alma, é hora de construir um templo para acolher nosso ser feminino. Não se condene, não se preocupe, deixe fluir, fique feliz.

domingo, 24 de outubro de 2010

AS ESCOLHAS DE NOSSA VIDA

A vida real não é feita de conquistas efêmeras, mas de relações que estarão lá para sempre. Marido, filhos, família, são eles que vão ficar do teu lado quando a empresa onde tu trabalhas não mais fizer parte do teu dia-a-dia.

Emprestei meu carro e por isso tenho ido trabalhar de ônibus. Tinha esquecido de coisas tão simples e de tanta riqueza de detalhes, amizades, alegrias . As pessoas se conhecem, pegam o coletivo no mesmo horário, nas mesmas paradas. O diálogo é rico e impressiona porque todos somos tão iguais... Iguais em nosso erros, dores, fracassos, alegrias, falta de dinheiro. Fico ouvindo os ¨cacos¨ de conversas que me chegam aos ouvidos e me delicio com eles...
Na minha parada estão algumas senhoras que todos os dias estão lá naquele horário. Eu, quando chego apenas dou um bom dia e fico quieta; elas tagarelam e falam das faxinas na casa , dos filhos, da escola, do tempo, dos concursos e também dos maridos...
Ontem elas falavam sobre escolhas. Opções. Encruzilhadas. Deixar aquele emprego com salário bom , mas teria mais tempo para o marido e para a vida a dois.., mas ganharia menos..; teria menos prestígio e poder..
Lembrei que uma opção sempre gera uma perda e que escolher entre viver e morrer é livre arbítrio..Mas fiquei calada.
Eu, como quase todas as mulheres de minha geração, sempre acreditamos que deveríamos trabalhar fora de casa . ¨Seja independente, não dependa de teu marido ¨.. Mas, para conquistar nosso espaço lá fora , relegamos o emocional a segundo plano. Todas queríamos vencer como homens, ter poder como homens.
Não me arrependo. Tudo o que construí na minha carreira foi profissionalmente trabalhado e suado. Porém, se tivesse que dar um conselho , diria ¨vá com calma¨. . Não precisamos deixar o nosso universo para adotar o deles. Dá para incorporar o que há de melhor nos dois. E, principalmente, ouvir a nossa voz interior, que é o melhor guia.
Batalhamos para ter o que era de domínio masculino – e eles ficaram perdidos. Acredito que num relacionamento bem-sucedido há o meio termo. Mas para isso acontecer, a mulher deve deixar o homem participar do seu universo. E gostar disso .
Aprendi que amar é uma decisão, não um sentimento.
Esteja sempre preparado, porque haverá pragas, secas e excesso de chuvas, mas nem por isso abandone seu jardim. Por que amar nada tem a ver com gostar.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Amor em tempo de inverno

Amor em tempo de inverno


Se a velhice fosse uma estação do ano certamente deveria ter flores como a primavera, teria frutos como o verão e dias azuis como o outono. Lamentavelmente, porém, se convencionou chamar a velhice de inverno, não sei por que. Assimilamos a idéia de que no inverno temos dias sombrios, cheios de neve e frio, sem praia nem sol, sem muito que fazer. Imagino que trazem melancolia, abandono, medo.
Foi assim que comecei a olhar para mim e para as outras pessoas ao meu redor que já haviam ultrapassado a barreira dos 50 anos. Vi pessoas que se tornaram pesos para suas famílias (e não me refiro aos doentes), mantendo exacerbados comportamentos de quando mais jovens. Postura macambúzia. Deprimidos. Insatisfeitos por terem envelhecidos com achaques e humores azedos. Ladainhas de queixumes numa espécie de prazer mórbido. Mas notei também a emoção de Cora Coralina, Drummond, Mario Quintana, Borges, percebi pessoas, que apesar da idade ter avançado continuavam participativos, alegres como nem todo jovem (ah, como existem jovens displicentes, emburrados, ¨velhos¨ ). Mas veja a alegria dos roqueiros Rolling Stones!
Pesquisas comprovam que a felicidade da juventude retorna na velhice. Bem menos tranqüila é a faixa dos 40 anos, cheia de ansiedade pelos sonhos ainda não realizados, medo do futuro, incidência maior ao estresse e depressão.
A imagem do inverno surge para combinar com dificuldade, solidão, medo, fraqueza. Não temos esquilos no Brasil, mas eles, com sabedoria, armazenam nozes no inverno e isso me pareceu sabedoria da natureza, é necessário também preparar-se para a velhice. Vale pois, observar a lição dos esquilos para se preparar para uma idade serena, sem fantasias escuras. Se um esquilo falasse diria que é inevitável não se preparar para a estação mais fria, pois mesmo que a primavera e o verão pareçam durar para sempre e que o outono seja apenas uma estação amena, de muita brisa e folhas secas, indubitavelmente o inverno chegará. E se o inverno vai chegar por que não se preparar para ele? Se vamos envelhecer por que fugir disso até descobrir que estamos velhos?
Que tipo de idoso tu te preparas para ser? Muito chato? Prepotente? Ranzinza? As outras pessoas são como espelhos, de alguma forma elas refletem o que somos. Dizer ¨eu sou assim e não vou mudar¨ é como jogar fora uma noz que poderá alimentar um esquilo em tempo frio.
Um galope contra o tempo para restaurar, corrigir, manter, conviver e se aborrecer por não ter feito nada antes. Isso inclui hábitos saudáveis de higiene pessoal, íntima e ambiental. Ninguém muda na velhice, apenas acentua grandemente o que sempre foi e antes não podia manifestar.
Os interesses são muito importantes: a música, a leitura, fazer palavras cruzadas, trabalhos manuais, gosto por animais.. Pode parecer depreciativo ver idosos jogando dominó ou damas nas praças, mas eles estão muito mais ativos do que aqueles que apenas limitam-se a observar.
Ser idoso não significa ser alienado. Dê preferência por coisas vivas (pássaros,cães, gatos, plantas..) ou coisas úteis como tricô, marcenaria, bordados,crochê, presenteando amigos e parentes. Interessar-se pela informática, mergulhar nas aventuras dos e-mails, msn, orkut, podem iluminar o inverno e é ótimo para quem tem problemas de locomoção. Ler um livro, fazer uma caminhada, ver televisão, viajar, renovar-se. Tudo vale a pena para que a alma não envelheça e se torne pequena. Para encontrar a paz não existem caminhos, e sim caminhantes. È bom fazer as pazes com Deus antes que o inverno chegue, reconhecer que Ele existe, que Ele ama e ampara a todos, mesmo quem reluta em encontrá-lo. Para encontrar sua alma não precisa nem fazer de Deus uma mania e nem da igreja, um esconderijo.
E por que não amar em tempo de inverno? O amor não depende de idade nem da perfeição física. Com mais idade, muitas vezes descobrimos que o amor é bem melhor e mais feliz agora do que quando nos angustiávamos com o ¨tipo ideal¨. Descobrir que o amor nada tem a ver com celulites, barriga de tanquinho e sim, com companheirismo, bom humor e muito entusiasmo.